Agora
Esportes
Recife,
PE –
Acabou a paciência da diretoria do Sport Recife. Se não conseguem
por bem fazer com que reconheçam o que lhe é de direito, o clube
decidiu processar todos os meios de comunicação que nomearem o
título conquistado pelo Flamengo no último domingo (06) como
hexacampeonato.
22 anos depois da polêmica ocorrida, a taça erguida pela equipe
pernambucana é reconhecida pela Confederação Brasileira de Futebol.
O mais intrigante é que o reconhecimento acontece
“apenas” por parte da entidade maior do futebol
brasileiro.
Tudo por causa do mais confuso Campeonato organizado pela CBF. Em
1987, o Sport sagrou-se Campeão nos moldes da Confederação, mas o
Clube dos 13, que organizava uma competição devido ao momentâneo
afastamento da CBF, tem o Flamengo como detentor do título daquele
ano.
Segundo a Confederação Brasileira, o Flamengo terminou aquele ano
como terceiro colocado. Como o que vale é o que diz a CBF, o
departamento jurídico do rubro negro recifense decidiu
agir.
Em entrevista à edição desta terça-feira (08) do Diário de
Pernambuco, o vice-presidente Jurídico do Sport, Eduardo Carvalho,
falou que irá tomar as medidas cabíveis para que tudo seja
resolvido de uma vez por todas.
"Não podemos sair processando todo mundo. Não tenho como ingressar
contra uma opinião pessoal ou um ponto de vista. Isso é uma coisa.
A outra é um veículo dar ares de verdade ao que não existiu.
Estamos atentos a isso. O que justifica, por exemplo, a Rede Globo
afirmar, sem nenhum senão, que o Flamengo é
hexacampeão?"
Assim, as brincadeiras entre os rubro negros poderão continuar, mas
o time carioca deverá sempre ser nomeado em emissoras de TV e
rádio, jornais, revistas e sites como
pentacampeão.
Relembrando
a história
Em 1987, a CBF, em crise financeira, anunciou que não realizaria o
Campeonato Brasileiro daquele ano. Com isso, os treze principais
clubes do futebol brasileiro na época (Vasco da Gama, Corinthians,
São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Santos, Fluminense, Botafogo,
Atlético Mineiro, Cruzeiro, Internacional, Grêmio e Bahia)
decidiram fundar uma associação denominada Clube dos 13. Reunidos
na nova associação, apesar das ameaças de desfiliação por parte da
CBF, com o respaldo da FIFA, agregaram um novo elemento ao mundo do
futebol brasileiro, ou pelo menos inédito: o projeto de marketing.
Patrocinados pela Coca-Cola, Varig e Rede Globo de Televisão,
organizaram a Copa União, que representaria o Campeonato Brasileiro
daquele ano.
A criação da Copa União surgiu após uma conciliação entre a CBF e o
Clube dos 13, já que uma desobediência à entidade poderia provocar
reações da FIFA. Depois de já ter iniciado a Copa União, a CBF
resolveu organizar um outro módulo do Campeonato Brasileiro e
alterar o regulamento da Copa União que já estava em vigor. O novo
campeonato foi dividido em quatro Módulos, sendo o Módulo Verde -
composto pelos 13 integrantes do Clube dos 13, que já estavam em
disputa na Copa União, além de Goiás, Santa Cruz e Coritiba,
deixando de fora o Guarani, vice-campeão do ano anterior e o
América-RJ, 4º colocado - considerado como primeira divisão
juntamente com o Módulo Amarelo. A CBF organizou ainda outros dois
módulos: azul e branco, que classificavam 12 equipes para a segunda
divisão de 1988.
Como forma de conciliar os interesses do Clube dos 13 com os da CBF
a CBF colocou no regulamento do campeonato, que os campeões e vice
dos módulos verde e amarelo se enfrentassem em um quadrangular
final, de onde sairiam os representantes brasileiros na Taça
Libertadores da América. Porém, os representantes do Clube dos 13
jamais concordaram em modificar o regulamento.
De acordo com a nova proposta de regulamento a CBF definia que o
campeão e vice do Módulo Verde deveriam enfrentar em um
quadrangular decisivo o campeão e vice do Módulo Amarelo que por
fim decidiria o campeão do torneio daquele ano. No entanto, os
finalistas do Módulo Amarelo Sport e Guarani após uma prorrogação
empataram nos pênaltis em 11 x 11 e dividiram o título em um
acordo.
Em dezembro de 1987, após a confirmação dos quatro times finalistas
em cada módulo (Flamengo, Internacional, Sport e Guarani), a CBF
anunciou a tabela deste quadrangular, que seria disputado em turno
e returno. Alegando que o regulamento foi alterado à revelia do
Clube dos 13, Flamengo e Internacional se recusaram a disputar com
o apoio do então presidente do Clube dos 13, Carlos Miguel Aidar
(que presidia o São Paulo Futebol Clube na época). Com isso Sport e
Guarani disputaram o quadrangular, vencendo os jogos contra
Flamengo e Internacional por WO.
A CBF acabou declarando o Sport como Campeão Brasileiro de 1987,
enquanto o Clube dos 13 fez o mesmo com o
Flamengo.
A CBF proclamou Sport e Guarani, respectivamente campeão e vice
daquele ano[1], como representantes do Brasil na Taça Libertadores
da América. Tendo o caso sido levado à justiça comum, esta, em
processo cuja decisão já se tornou definitiva (sem possibilidade de
recurso), deu ganho de causa ao Sport Club do Recife[2]
[3].
É possível, ainda, encontrar no site da FIFA[4] em espaço destinado
ao Flamengo a confirmação de que o mesmo possui 4 títulos
brasileiros, além de deter a Copa União (Módulo verde) do ano de
1987, confirmando assim os decretos da CBF.
Em janeiro de 1988, quando o resultado do campeonato ainda estava
em litígio, o Jornal do Commercio de Recife publicou uma grande
reportagem, amplamente favorável aos interesses do Sport, sugerindo
inclusive que o Internacional e o Flamengo deveriam ser rebaixados
para a série B, o que nunca aconteceu porque não tinha qualquer
base legal e sequer foi cogitado pela CBF ou por qualquer outro
órgão de imprensa.
No ano seguinte, a CBF se retoma a responsabilidade de organizar o
Campeonato Brasileiro com os principais clubes do país novamente o
chamando de Copa União, mantendo assim, o mesmo nome da competição
que foi realizada pelo Clube dos 13.